A operadora de neocloud Nebius divulgou os resultados do segundo trimestre antes da abertura do mercado nos EUA em 12 de agosto: receita de US$ 582,3 mi, alta de 454% na comparação anual e de 46% em relação ao trimestre anterior.
O trimestre da virada
O EBITDA ajustado ficou em positivo US$ 236,2 mi — uma inflexão real para um negócio que vinha contratando capacidade antes da demanda. O prejuízo líquido ajustado diminuiu para US$ 33 mi, ante US$ 92 mi, e o prejuízo por ação foi de US$ 0,68. O segmento de IA respondeu por US$ 575 mi, alta de 514%, deixando todo o restante em cerca de 2% do grupo.
O número que define o preço
A receita em taxa anualizada chegou a US$ 3,0 bi no fim de junho, alta de 598% na comparação anual e de 56% em relação a março. A Nebius reafirmou a projeção de receita para o ano cheio de US$ 3,0-3,4 bi, com margem de EBITDA ajustado próxima de 40%, e uma meta de ARR de saída de US$ 7-9 bi.
Capex é sete vezes a receita
A empresa manteve a orientação de investimentos de capital para 2026 em US$ 20-25 bi — cerca de sete vezes a receita que espera registrar neste ano. Essa diferença é o modelo inteiro do neocloud: a capacidade precisa ser contratada e energizada antes que exista a receita que a justifique. O EBITDA positivo reduz quanto disso precisa vir de capital externo, mas não elimina a necessidade.
Reação do mercado
As ações subiram 16,5% no pregão pré-mercado, para US$ 225,15, ante o fechamento de US$ 193,23, e encerraram o dia em alta de cerca de 31%. Diferentes veículos citam movimentos entre 16,5% e 34%, dependendo do ponto da sessão que mediram.
Onde está o risco agora
Crescer 454% a partir de uma base pequena é mais fácil do que sustentar uma taxa anualizada de US$ 3 bi enquanto se gasta US$ 25 bi. A questão que este trimestre não responde é a duração dos contratos e a concentração de contrapartes — uma taxa anualizada formada por alguns grandes inquilinos de IA se comporta de forma muito diferente em uma retração do que uma espalhada por muitos.
