A IFPI adotou na quinta-feira princípios globais que regem se gravações feitas com IA generativa podem aparecer em paradas musicais oficiais e começou a aplicá-los aos programas de paradas que administra diretamente. As regras foram propostas no dia anterior pelas três majors e por um grupo de independentes.
Os seis critérios
Uma gravação só se qualifica se: o serviço de IA usado foi devidamente autorizado e é legal; a faixa é "substancialmente feita por humanos"; não há preocupações com manipulação de streams ou de paradas; ela cumpre as leis de direitos autorais e de personalidade; não viola os termos do serviço de IA; e o uso de IA é sinalizado aos consumidores nos serviços de streaming. Signatárias da proposta: Sony Music, Universal, Warner, Believe, BMG, Concord, Dirty Hit, Glassnote, HYBE, Mom+Pop e Partisan.
"Worldwide" é a palavra mais fraca do anúncio
A IFPI vincula as paradas que administra diretamente. Já em vigor: Official MENA Charts, Official Southeast Asia Charts, Official South Africa Chart e várias paradas latino-americanas. Um pipeline com mais de 20 passa por grupos nacionais, incluindo ARIA na Austrália, SNEP na França, as Offizielle Deutsche Charts e a Circle Chart na Coreia do Sul — descritos como em andamento, não adotados. A Billboard e a UK Official Charts Company não estão cobertas e não assumiram compromisso algum. A afirmação de que "músicas de IA estão proibidas das paradas em todo o mundo" é falsa.
O critério é mais rígido do que "totalmente gerado por IA"
Segundo as definições derivadas do trabalho de rotulagem da RIAA e da IFPI, gerado por IA significa feito inteiramente por IA ou com um vocal principal ou instrumento-chave produzido por IA. Uma faixa escrita, interpretada e produzida por humanos, mas com um vocal principal gerado por IA, é desqualificada. Assistido por IA — feito majoritariamente por pessoas usando IA em alguns elementos — continua elegível. Não há data de entrada em vigor publicada, nem mecanismo de auditoria, e a aplicação depende de um padrão brando de "motivo para crer".
Quem escreveu as regras
Esses princípios foram redigidos pelos titulares de direitos e adotados por sua entidade de classe — as partes com o interesse comercial mais direto em determinar quais gravações contam. Isso não é motivo para descartá-los, mas deve ser dito em vez de apresentados como se fossem uma entidade neutra de normas agindo sozinha. Observe também o primeiro critério: exigir que o serviço de IA seja "devidamente autorizado e legal" traz diretamente a questão da licença de treinamento para a elegibilidade nas paradas — um dia antes de um tribunal de Munique decidir exatamente sobre essa questão.
