O ministro dos transportes rodoviários da Índia, Nitin Gadkari, recebeu na segunda-feira autorização para processar três das maiores plataformas do mundo por vídeos gerados por IA que o retratam como corrupto.

O que o tribunal realmente fez

O juiz Abhay Ahuja, do Tribunal Superior de Bombay, concedeu licença sob a Cláusula XII das Letters Patent — a norma que define se o tribunal tem jurisdição — permitindo que a ação seja protocolada com base no fato de o conteúdo estar acessível em Mumbai. Número do caso LPETN(L)/25170/2026, Nitin Gadkari v. Meta Platforms. O mérito será analisado pelo juiz Arif Doctor.

Quem está sendo processado, e por quê

Os réus são Meta (Facebook e Instagram), Google e YouTube, X Corp, o Ministério de Eletrônica e TI da Índia, o Departamento de Telecomunicações e criadores anônimos identificados como John Doe. A ação abrange pelo menos 24 posts e vídeos deepfake que mostram falsamente Gadkari e sua família lucrando com o programa de mistura de etanol E20, pedindo remoção e ₹11 crore — cerca de $1,3 milhão — em indenização.

Autorização para protocolar não é uma decisão de mérito

Esta é a distinção que a maior parte da cobertura apaga. O tribunal decidiu que pode conhecer o caso. Não concluiu que os posts sejam difamatórios, não ordenou a remoção de nada e não disse nada sobre a responsabilidade das plataformas. Manchetes que anunciam que um ministro venceu as Big Tech descrevem uma audiência que ainda não ocorreu.

Não é o governo processando

Dois ministérios aparecem como réus, não como autores da ação — eles são partes formais porque a máquina de remoção passa por eles. Trata-se de uma ação cível pessoal, e a petição afirma explicitamente que não mira críticas legítimas ao E20, apenas alegações fabricadas de enriquecimento.

O ponto factual

A política no centro dos vídeos é administrada pelo ministério do petróleo. Gadkari responde pelos transportes rodoviários. Os deepfakes lhe atribuem uma pasta que ele não ocupa.