Jess Asato, deputada trabalhista por Lowestoft, protocolou uma ação contra a xAI na Alta Corte de Londres em 3 de junho. Os autos judiciais divulgados em 28 de julho detalham o que ela agora pede ao tribunal que determine: que a xAI "implemente medidas técnicas eficazes e permanentes" para que o Grok não consiga gerar imagens manipuladas e sexualizadas dela, e que localize e remova o material que ainda está online.

A teoria jurídica

A ação é movida por uso indevido de informação privada e violação da lei de proteção de dados, com pedido de indenização e uma declaração de ilegalidade. Seu argumento distintivo diz respeito a onde está a responsabilidade: seus advogados afirmam que a forma como o Grok foi projetado e treinado foi o que tornou o conteúdo possível, de modo que a responsabilidade recai sobre a desenvolvedora, e não apenas sobre os usuários individuais que digitavam os prompts. Seu advogado, Ravi Naik, da AWO, resumiu a medida de forma direta — uma ordem judicial "exigindo que os sistemas sejam colocados em conformidade se a xAI se recusar a fazê-lo". O escritório afirma que nenhum caso aplicou a lei de proteção de dados e privacidade a uma desenvolvedora de IA dessa maneira.

A cronologia nos autos

O abuso começou no início de janeiro, depois que ela publicou que usar IA para despir mulheres sem consentimento "é agressão sexual concebida para degradar e humilhar". Em seguida, usuários pediram ao Grok que produzisse imagens sexualizadas dela, inclusive em vídeo. Ela registrou 21 publicações em fevereiro; dois vídeos haviam sido removidos até março, e seis publicações continuavam ativas no fim de julho — apesar de a xAI ter afirmado depois que os usuários não podem mais gerar imagens sexualizadas de pessoas reais.

Em que ponto está

A xAI não apresentou defesa e não respondeu aos pedidos de comentário. Nenhuma audiência foi marcada.

Três frentes ao mesmo tempo

A Ofcom abriu em 12 de janeiro uma investigação formal sob a Online Safety Act contra a entidade irlandesa do X sobre a mesma categoria de conteúdo — um processo regulatório, separado desta ação privada. E, em 27 de julho, a xAI tornou-se autora nos Estados Unidos, processando o procurador-geral de Minnesota por uma lei estadual de nudificação com base na Primeira Emenda. O mesmo produto está sendo defendido e atacado em três jurisdições ao mesmo tempo.