A SK hynix publicou, com cinco universidades, um artigo de revisão na Nature Electronics intitulado "Co-packaged optics for high-performance computing and artificial intelligence." O artigo foi publicado online em 19 de agosto; a nota da empresa em seu newsroom traz 20 de agosto, KST. Manchetes o apresentaram como a SK hynix revelando um roadmap para memória de IA baseada em luz.

O que a versão mais comum erra

Não há produto aqui, nem cronograma, nem cliente. Trata-se de um artigo acadêmico de revisão com coautoria, cujos autores correspondentes se dividem entre Seunghoon Hong, líder da equipe de AI Infra da SK hynix, e o professor Kyusang Lee, da University of Virginia. As instituições colaboradoras são UVA, UIUC, Nanyang Technological University, MIT e Yonsei. Não aparece em lugar algum node de processo, capacidade, data de lançamento nem silício de parceiro.

Os números são metas, não especificações

O artigo estabelece metas de mais de 100 Tb/s de largura de banda por node, energia abaixo de 1 pJ/bit e latência chip a chip de menos de 10 nanossegundos. São números que o setor precisa alcançar para a abordagem funcionar — não medições demonstradas pela SK hynix. Citá-los como especificações de produto, como fizeram vários textos, inverte seu significado.

O problema descrito

O teto de largura de banda, como o artigo formula: a capacidade de computação tem normalmente triplicado a cada dois anos, enquanto a largura de banda de interconexão avançou apenas cerca de 1,4 vez no mesmo período. O caminho proposto vai de 2D, para co-packaged optics em interposer 2.5D, até empilhamento heterogêneo 3D — e então estende a óptica para a interface de memória.

O que realmente há de novo

Co-packaged optics não é novidade; ela já é usada em switches de rede. O ponto digno de nota é a extensão da óptica para a interface de memória, algo que ninguém ainda transformou em produto. Lida assim, trata-se da líder em HBM afirmando publicamente que acredita que a interface elétrica de memória está chegando ao fim da linha e fincando uma bandeira na resposta óptica antes de Samsung e Micron. Isso é uma posição, não um roadmap — e posições da líder de mercado merecem ser lidas justamente porque são baratas de declarar e caras de abandonar.