A organização alemã de direitos digitais HateAid apresentou em 12 de agosto uma queixa criminal sobre os smart glasses com IA da Meta — e não parou na fabricante.
Quem foi citado
A queixa mira a administração da Meta Platforms Technologies Ireland, as marcas de óculos Ray-Ban e Oakley, e quatro varejistas: Fielmann, Apollo-Optik, Mister Spex e MediaMarkt. Citar as lojas é a parte agressiva da iniciativa — isso transforma uma disputa sobre um produto em uma questão sobre se vendê-lo é legal.
A tese jurídica
A HateAid se apoia na Telecommunications-Digital Services Data Protection Act (TDDDG) da Alemanha, que proíbe fabricar e vender dispositivos de comunicação disfarçados de objetos do cotidiano capazes de gravar imagens ou conversas privadas sem consentimento. Os gestores responsáveis podem pegar até dois anos de prisão ou multa. O dispositivo em questão é o Ray-Ban Meta Wayfarer Gen 2.
Os fatos citados em apoio
A HateAid aponta acessórios de terceiros que ocultam o LED de gravação, código de reconhecimento facial inativo encontrado e depois removido do aplicativo complementar, e a revisão de imagens de usuários por contratados. A resposta da Meta: os óculos são "construídos com proteções de privacidade desde a base, que vão além do que qualquer smartphone oferece".
O que ainda não aconteceu
Esta é uma queixa de uma ONG, não uma acusação. Os promotores alemães precisam decidir se abrem um processo, e nenhum tribunal decidiu nada. Uma queixa desse tipo pode terminar sem que qualquer medida seja tomada.
Por que o enquadramento é incomum
A maioria das ações de privacidade contra wearables passa pela legislação de proteção de dados e termina em multas. Levar isso por um estatuto penal sobre dispositivos de gravação disfarçados desloca a questão de como os dados são tratados para se uma câmera que parece um óculos pode ser vendida de forma alguma — um problema muito mais difícil para o produto contornar no desenvolvimento.
