Uber divulgou os resultados do segundo trimestre em 5 de agosto e usou a ocasião para se comprometer com mais de US$ 10 bilhões ao longo dos próximos anos para comercializar veículos autônomos. O presidente-executivo Dara Khosrowshahi tem apresentado o objetivo como o de ser, no longo prazo, o vencedor da transição para os VAs, e não sua vítima.
O trimestre em si
Receita de US$ 14,19 bilhões, ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 14,22 bilhões. LPA ajustado de US$ 0,81, ante US$ 0,80 esperados. Reservas brutas de US$ 58,0 bilhões, alta de 24% na comparação anual, 22% em moeda constante. Sólido, e não foi isso que moveu a ação.
A orientação
As projeções de reservas e lucro para o terceiro trimestre vieram abaixo do consenso, com a concorrência no Brasil citada como um fator de pressão sobre o crescimento de viagens. As ações caíram. Um compromisso de dez bilhões de dólares anunciado ao lado de uma perspectiva fraca é uma aposta de que o mercado está precificando mal a transição, e não uma celebração.
O que de fato foi prometido
Operações de robotáxi em até 15 cidades até o fim do ano, por meio de parceiros e não de uma estrutura própria. A Uber diz que o dinheiro será destinado a participação societária em operadores de VAs, além de suporte de balanço para frotas e compromissos com veículos — mas não publicou a divisão, e a cifra amplamente repetida de "120.000 veículos" não aparece nos materiais de resultados.
O problema estratégico
O modelo asset-light da Uber funciona porque os motoristas possuem os carros. Os robotáxis recolocam o capital no balanço de alguém, e este é o trimestre em que a Uber concordou que parte dele será o seu próprio.
