O robô humanoide D1 da Honor, conhecido em chinês como 闪电 ou "Lightning", completou a categoria de 10 quilômetros da Maratona da Malásia, em Kuala Lumpur — sua primeira aparição fora da China e, segundo a empresa, a primeira inscrição de um robô na história do evento. O diretor global de marketing da Honor, Guan Haitao, divulgou o resultado em 30 de agosto; a reportagem da IT之家 está datada de 17:58:08, horário de Pequim, 09:58:08 UTC.
O que foi alegado
A Honor disse que o D1 completou o percurso sob as Torres Petronas à noite e atualizou o recorde do evento. A máquina tem 169 cm, usa uma carroceria vermelha em estilo mecha e foi projetada para velocidade e aceleração. Um segundo robô da Honor, o A1, apareceu na prova de 5 km ao lado do primeiro-ministro da Malásia.
O recorde que não tinha detentor anterior
Um recorde exige uma marca anterior. Se o D1 foi o primeiro robô a jamais participar dessa corrida, então qualquer distância que ele percorra é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior desempenho de robô na história do evento, e "atualizou o recorde do evento" não traz informação alguma sobre a velocidade atingida. Essa seria uma objeção pedante se um tempo tivesse sido publicado. Não foi. Não vamos reproduzir um, porque a Honor não o divulgou e nenhum tempo independente surgiu — o que, por si só, é o fato mais revelador do anúncio.
Os outros recordes merecem a mesma leitura
O D1 chega credenciado por quebrar recordes humanos nos 100 metros e na meia maratona, além de ter feito 2 minutos e 30 segundos nos 1500 m da final de grande porte no segundo World Humanoid Robot Games. Leve isso a sério por um instante: 2:30 nos 1500 m seria quase um minuto abaixo do recorde mundial humano. Marcas estabelecidas em um encontro de esportes para robôs, em um percurso para robôs, com a permissão de auxiliares, não são comparáveis a resultados sob as condições das entidades que regem o atletismo — superfície diferente, regras diferentes, supervisão diferente. Apresentá-las como recordes humanos quebrados é um erro de categoria que vem sendo repetido ao longo de um ano de cobertura.
O que a participação realmente é
O robô viajou junto com um lançamento de celular e uma vaga no desfile de Merdeka. Isso não torna a engenharia falsa — uma máquina bípede cobrindo 10 km ao ar livre, à noite, em vias públicas, é uma demonstração genuína de confiabilidade, e confiabilidade em longas distâncias é justamente onde os humanoides costumam falhar. Mas isso torna a narrativa promocional. A demonstração é a notícia; o recorde é o marketing.
