A cobertura em 26 de agosto, às 17:35 UTC, colocou em circulação, com origem na Bloomberg, um acordo de computação de US$ 45 bilhões e seis anos entre Anthropic e Nscale. A capacidade é de cerca de 460 megawatts no campus principal da Nscale na Virgínia Ocidental. Quatro ressalvas acompanham esse número.
Ninguém confirmou o acordo
Não há comunicado de imprensa de nenhuma das empresas, nem registro oficial, nem declaração em off ou em registro. O valor existe porque um veículo de comunicação o reportou. Isso pode muito bem estar correto — o histórico da Bloomberg em contratos de computação é sólido —, mas um acordo que não foi anunciado por nenhuma das partes é uma reportagem, e a diferença importa quando o número é maior do que a maioria dos programas nacionais de infraestrutura.
O que a leitura comum interpreta errado
O título parece indicar que foram comprados US$ 45 bilhões em capacidade de computação. O que teria sido acertado, segundo os relatos, é um compromisso de seis anos com capacidade que entrará em operação no fim de 2027. Nada é entregue neste ano e nada é entregue no próximo. O hardware mencionado é a geração Vera Rubin, da Nvidia, que também ainda não começou a ser enviada. Dividido ao longo de seis anos, o valor equivale a cerca de US$ 7,5 bilhões por ano, e o primeiro desses anos ainda não começou. Reportá-lo como gasto no presente exagera em toda a duração da construção.
O timing em relação ao IPO
A Nscale se prepara para uma oferta pública inicial nos EUA já no próximo mês. A empresa vai ao mercado citando uma carteira contratada de receitas de US$ 51 bilhões contra cerca de US$ 100 milhões de receita registrada em um trimestre recente. Se o acordo com Anthropic for real, a US$ 45 bilhões, ele representa a esmagadora maioria dessa carteira — o que significa que uma única contraparte não confirmada responde pela maior parte da receita futura sobre a qual um IPO está sendo precificado. Esse é o fato que um investidor gostaria de ver confirmado no registro, e é exatamente esse fato que ainda não foi.
A Microsoft esteve lá primeiro
O detalhe mais revelador é a história do local. A Microsoft assinou uma carta de intenções para o terreno na Virgínia Ocidental em março e desistiu durante o verão — foi assim que o local ficou disponível para a Anthropic. Um hyperscaler com mais experiência em data centers do que כמעט qualquer outro avaliou o campus e o recusou. Isso não significa que o local seja ruim; decisões de implantação dependem de timing de portfólio, filas de interconexão à rede e preços de energia tanto quanto do ativo. Mas isso estabelece que uma carta de intenções para esse campus já se converteu em nada uma vez, algo que vale ser mantido ao lado de um valor reportado de US$ 45 bilhões.
