Em 10 de julho de 2026, o Bureau of Industry and Security (BIS) do Departamento de Comércio dos EUA reclassificou os Emirados Árabes Unidos para o Country Group A:5 — a categoria reservada aos parceiros tecnológicos em quem Washington mais confia —, abrindo caminho para exportações sem licença de chips e servidores avançados de IA para o país do Golfo.
Uma estreia no mundo árabe
A reclassificação tira os Emirados Árabes Unidos dos grupos mais restritos D:3 e D:4, tornando o país o primeiro árabe a ter status A:5 e o único membro A:5 que não integra regimes multilaterais de controle de exportações como o Acordo de Wassenaar. Itens avançados de computação agora podem ser enviados sob a isenção de licença Strategic Trade Authorization (STA), implementando a estrutura de cooperação em IA EUA-EAU assinada em maio de 2025.
Quem se beneficia
O BIS nomeou os beneficiários imediatos: o governo dos Emirados Árabes Unidos e entidades aprovadas, entre elas G42, Core42 e o fundo de investimento MGX, além das operações emiradenses de Amazon, Apple, Google, Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e xAI, todas dispensadas de licenças individuais para chips e servidores. A Nvidia é a fornecedora de chips em questão; a G42 obteve separadamente autorização para importar hardware da Nvidia em junho de 2026. A atualização também concede tratamento sem licença para determinados itens militares, satélites comerciais e equipamentos de uso duplo para petróleo e gás, dessalinização e energia nuclear civil, além de eliminar restrições anteriores aos programas de drones dos Emirados Árabes Unidos.
A justificativa
O Departamento de Comércio citou o papel dos Emirados Árabes Unidos como US Major Defense Partner e seu apoio durante a Operation Epic Fury, além dos compromissos emiradenses de impedir o desvio de tecnologia dos EUA e de fazer investimentos correspondentes na expansão americana de IA. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, resumiu a política mais ampla de forma direta: "Não permitiremos que adversários explorem a tecnologia americana."
Uma batalha no Senado
A decisão atraiu críticas imediatas. A senadora Elizabeth Warren chamou a medida de "corrupt", relacionando-a ao uso, pela MGX, da stablecoin USD1 ligada a Trump para financiar um investimento de US$ 2 bilhões na Binance, e exigiu que Lutnick e o subsecretário do BIS Jeffrey Kessler prestem depoimento diante do Comitê de Bancos do Senado. Em junho, democratas do Senado haviam alegado que a G42 desviou tecnologia de chips dos EUA para programas que fortalecem os sistemas de mísseis da China, apesar da promessa anterior da empresa de reduzir laços com o país. O aviso de implementação no Federal Register (doc 2026-14132) será publicado oficialmente em 14 de julho.
