A ação coletiva sobre material de abuso sexual infantil gerado por IA ganhou novos contornos. Na terça-feira, 7 de julho, advogados da Lieff Cabraser Heimann & Bernstein protocolaram uma queixa emendada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, acrescentando duas autoras e uma segunda ré. O caso, aberto pela primeira vez em março de 2026 por três adolescentes do Tennessee, agora tem cinco autoras Jane Doe e nomeia a Stability AI — criadora do Stable Diffusion — ao lado da SpaceXAI, a empresa de Elon Musk conhecida como xAI quando a ação foi iniciada.

As novas alegações

As duas autoras adicionadas à queixa são mulheres de Wyoming e Wisconsin. Segundo o processo, o padrasto da autora identificada como Jane Doe 4, agora na casa dos 20 anos, usou o Grok para gerar cerca de 7.000 imagens e vídeos sexualmente explícitos dela, todos derivados de uma única fotografia tirada quando ela tinha cerca de 11 anos. A queixa afirma que parte do material trazia legendas explícitas.

A alegação sobre a notificação

Empresas dos EUA são legalmente obrigadas a reportar suspeitas de material de abuso sexual infantil ao National Center for Missing & Exploited Children. A queixa alega que a SpaceXAI enviou uma única denúncia ao NCMEC, em fevereiro, número que os autores argumentam ser incompatível com o volume de imagens que seus clientes dizem que o Grok produziu.

A tese jurídica

As acusações são apresentadas com base na Lei de Masha, no Trafficking Victims Protection Act e na legislação da Califórnia, e incluem produção de CSAM, benefício de uma empreitada de tráfico sexual, negligência, projeto defeituoso do produto e incômodo público. Esta última contagem é a mais abrangente. "Incômodo público significa que isso não é apenas algo problemático para nossos clientes", disse Annika K. Martin, sócia da Lieff Cabraser que lidera o grupo de prática da firma voltado a sobreviventes de abuso sexual e conduz o caso com a coadvogada Vanessa Baehr-Jones. "Isso é algo que é uma praga para a sociedade." A classe nacional proposta abrange qualquer pessoa nos EUA cujas imagens reais de infância tenham sido alteradas pelo Grok em material sexualizado. Os autores pedem indenização e uma ordem judicial que imponha barreiras eficazes.

As respostas

A Stability AI afirmou em comunicado que "qualquer sugestão de que a segurança não é uma prioridade máxima para nós está categoricamente errada", acrescentando: "levamos nossas responsabilidades éticas a sério". A SpaceXAI não respondeu aos pedidos de comentário. Os reguladores chegaram ao mesmo tema antes: o Ofcom, do Reino Unido, abriu em 12 de janeiro uma investigação sob a Online Safety Act sobre o X, o ICO abriu a sua própria em 3 de fevereiro sobre a geração de imagens sexualizadas pelo Grok, e a Comissão Europeia abriu procedimentos sob a Digital Services Act.