Em 9 de julho de 2026, a Micron elevou seu investimento planejado nos EUA para mais de US$ 250 bilhões até 2035 — um aumento de cerca de US$ 50 bilhões em relação ao compromisso anterior — e marcou o momento com a primeira concretagem, um trimestre inteiro antes do cronograma, em seu campus de Clay, Nova York, perto de Syracuse. O fator determinante, disse a empresa de forma direta, é a demanda crescente por memória na era da IA.

A fábrica de Nova York

O campus de Clay deve abrigar até quatro fabs para produzir DRAM, a memória que sustenta os chips de alta largura de banda que alimentam os aceleradores de IA. Micron e autoridades de Nova York afirmam que se trata do maior complexo de fabricação de semicondutores da história dos EUA e do maior investimento privado da história do estado. Já mais de 80% dos trabalhadores no local são residentes de Nova York e cerca de US$ 675 milhões foram destinados a contratadas do estado em até seis meses após o início das obras. O local sustenta a meta da Micron de produzir 40% de sua DRAM nos EUA até 2035.

O restante do mapa

Além de Nova York, a sede da Micron em Idaho está adicionando duas fabs, com a produção inicial de wafers prevista para meados de 2027 e fim de 2028, enquanto sua planta na Virgínia já iniciou a produção inicial. A empresa também vai destinar até US$ 3 bilhões para fortalecer a cadeia de suprimentos doméstica — incluindo US$ 500 milhões em financiamento estratégico para a fabricante de wafers de silício GlobalWafers, acompanhado de um contrato de fornecimento de uma década, para expandir uma instalação no Texas.

A tese da memória para IA

A aposta da Micron se baseia em uma escassez de memória que seus executivos esperam que persista além de 2027, à medida que os sistemas de IA consomem cada vez mais DRAM. As ações refletiram o entusiasmo, subindo até cerca de 9% no dia; o papel mais do que triplicou no acumulado do ano. "Dados e memória são fundamentais para a economia moderna", disse o CEO Sanjay Mehrotra, relacionando diretamente a cifra de US$ 250 bilhões a "esse momento".

O palco político

A cerimônia reuniu o secretário de Comércio Howard Lutnick, a governadora de Nova York Kathy Hochul e o senador Chuck Schumer, que citaram uma bolsa de US$ 6,1 bilhões do CHIPS Act. Lutnick usou os gastos da Micron como alavanca contra rivais estrangeiros, dizendo que está em conversas com Samsung e SK Hynix e que eles "não terão escolha a não ser seguir" — uma mensagem direta na véspera de a SK Hynix começar a negociar nos EUA.