Duas mensagens colidiram em uma reunião geral da Meta em 2 de julho de 2026. O CEO Mark Zuckerberg admitiu que o trabalho da empresa em "agentes" de IA não havia "acelerado da forma como esperávamos" por pelo menos quatro meses; minutos depois, o chefe de IA Alexandr Wang afirmou que um modelo ainda não lançado havia alcançado paridade com o GPT-5.5 da OpenAI. A contradição virou a história.

O que Zuckerberg disse

Segundo uma gravação obtida pela Reuters, Zuckerberg disse aos funcionários que a "trajetória do desenvolvimento agente, ao longo dos últimos pelo menos quatro meses, não acelerou realmente da forma como esperávamos" e que as apostas da reestruturação da empresa "ainda não se concretizaram". Ele disse esperar um retorno em cerca de três a seis meses e admitiu que os recentes cortes de vagas não haviam sido tão "limpos" quanto deveriam.

A afirmação sobre 'Watermelon'

Wang, segundo o Business Insider, disse na mesma reunião que "Watermelon" — o próximo modelo da Meta após Avocado, nome interno do Muse Spark, lançado em abril de 2026 — está "atualmente em treinamento", "usa uma ordem de grandeza mais computação do que Avocado" e já "alcançou" o GPT-5.5. Ele não mencionou os benchmarks, e nem a Meta nem a OpenAI confirmaram a afirmação.

Por que a afirmação é frágil

Analistas apontaram que atingir paridade com cerca de dez vezes mais computação soa mais como força bruta do que como avanço; que a avaliação foi conduzida pela própria empresa em benchmarks não identificados, "a categoria de evidência menos confiável"; e que o alvo já havia mudado, já que a OpenAI lançou o GPT-5.6 (Sol, Terra e Luna) em 26 de junho — o que significa que a Meta diz estar alcançando um modelo que já está uma geração atrás. Mais tarde, Wang argumentou no X que Zuckerberg estava descrevendo o progresso de todo o setor, e não especificamente da Meta.

Os riscos

A Meta se reorganizou em torno de IA — construindo a Meta Superintelligence Labs sob Wang, que entrou por meio do acordo de US$ 14,3 bilhões com a Scale AI — e, em maio, cortou cerca de 8.000 funcionários, ao mesmo tempo em que realocou cerca de 7.000 para equipes de IA. A empresa elevou a projeção de gastos de capital para 2026 para US$ 125-145 bilhões. As ações da Meta caíram cerca de 4,9% em 2 de julho, o que analistas leram como o mercado se alinhando mais com a cautela de Zuckerberg do que com o otimismo de Wang.