A tentativa de longa data da Meta de deixar de comprar todo o seu silício de IA da Nvidia chega à fábrica neste outono. Um memorando interno relatado pela Reuters em 9 de julho diz que a empresa começará a produção de um chip de IA para data centers com o codinome Iris em setembro, a mais nova geração de seu programa MTIA — o Meta Training and Inference Accelerator, agora em sua quarta geração. A Meta recusou-se a comentar o memorando.
Quem o fabrica
Broadcom auxilia no projeto e a TSMC fabrica. Em torno deles há um conjunto de acordos de fornecimento: Samsung Electronics para memória, SanDisk para armazenamento flash e Sumitomo Electric para equipamentos de fibra óptica. Pelo menos um chip concluído terminou os testes em cerca de seis semanas, sem que fossem encontrados grandes problemas, segundo o memorando. "Cada geração do MTIA se baseia na anterior, usando chiplets modulares, incorporando as mais recentes informações sobre cargas de trabalho de IA e tecnologias de hardware, e sendo implantada em um ritmo mais curto", disse a Meta sobre o programa.
A escala que ele abastece
O chip existe por causa da expansão por trás dele. A Meta planeja gastar entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões em infraestrutura de IA em 2026, com cerca de 7 gigawatts de compute implantados neste ano e aproximadamente 14 GW como meta para 2027. Ainda assim, a empresa continua comprando pesadamente da Nvidia e da AMD. "Você não pode se tornar um titã da IA se depender de outra empresa para chips", disse Mike Gualtieri, da Forrester Research.
O outro lado: alugá-lo
No mesmo dia, Mark Zuckerberg disse à Bloomberg que vender acesso a essa infraestrutura agora está sob consideração ativa: "As ofertas que você recebe pelo uso do compute são tão altas que pode fazer sentido, em alguns casos, alugar ou considerar esse tipo de negócio em vez de seus próprios usos internos." Esta é a primeira confirmação, em registro, por um CEO sobre o esforço relatado por volta de 1º de julho como "Meta Compute", um possível concorrente da AWS, Azure e Google Cloud. Na reunião anual de acionistas da Meta, em maio, Zuckerberg já havia dito que computação em nuvem está "definitivamente em discussão", afirmando que empresas procuram a Meta "quase toda semana" por seus modelos ou capacidade ociosa.
O que ainda não está definido
A formulação de Zuckerberg — "pode fazer sentido, em alguns casos" — não é um lançamento. A Meta não disse se venderia compute bruto, acesso a modelos hospedados ou ambos, e o empreendimento relatado como "Meta Compute" continua exploratório. O ambiente de preços explica a tentação: a Anthropic paga à SpaceX cerca de US$ 1,25 bilhão por mês pela capacidade do Colossus, e o Google cerca de US$ 920 milhões, valores que fazem aceleradores ociosos parecerem menos folga e mais inventário. O Iris, por outro lado, já tem data. Se ele deslocará silício suficiente da Nvidia para fazer diferença só ficará visível quando os chips estiverem instalados em racks e a orientação de capex da Meta para 2027 se alterar — ou não.
