A China está abrindo uma porta que fechou com força há um ano, mas apenas parcialmente. Reportagem que veio a público na noite de 8 de julho e ganhou detalhes cruciais em 9 de julho diz que Pequim permitirá que Alibaba, ByteDance e DeepSeek comprem aceleradores H200 da Nvidia — mas limitará o total aprovado a menos de 200.000 chips, menos da metade do que as empresas solicitaram.

As condições

Os chips poderão ser usados para treinar modelos de IA. A inferência — a carga de trabalho recorrente e muito maior de, de fato, atender esses modelos — terá de rodar em processadores domésticos, com as autoridades orientando as empresas a usar silício da Huawei. Cada empresa terá de justificar as quantidades que solicitar. O efeito é um esquema de racionamento, não uma abertura. Alibaba e ByteDance estão entre cerca de dez empresas chinesas que o Departamento de Comércio dos EUA autorizou, em maio, a comprar até 75.000 H200 cada uma — uma cota de uma única empresa que consumiria grande parte do teto reportado por Pequim. A DeepSeek não estava entre essas licenciadas; seu acesso passa por uma aprovação separada, do lado chinês.

Por que o bloqueio existia

O bloqueio foi da China, não de Washington. O governo Trump proibiu em abril de 2025 as exportações do H20 da Nvidia, compatível com o mercado chinês, e depois voltou atrás naquele julho. Dias depois, em 31 de julho de 2025, a Administração do Ciberespaço da China convocou a Nvidia por alegações de que o H20 poderia ser rastreado ou desativado remotamente. A Nvidia negou de forma categórica: "A NVIDIA não tem 'backdoors' em nossos chips que dariam a qualquer pessoa uma forma remota de acessar ou controlar". Ainda assim, Pequim desestimulou compras domésticas e pressionou as empresas a recorrer a fornecedores locais, parte de um esforço mais amplo de autossuficiência.

O que está em jogo para a Nvidia

A Nvidia já detinha cerca de 95% do mercado chinês de chips de IA de ponta. Esse negócio agora está praticamente perdido: a fatia da China na receita da Nvidia, que chegou a 13% no ano fiscal de 2025, caiu para um nível de um dígito baixo, e a empresa registrou essencialmente nenhuma receita de data center na China no trimestre mais recente reportado. As ações subiram cerca de 3,65%, para $204,12, em 8 de julho, na sessão em que a reportagem veio a público, avaliando a empresa em cerca de $4,94 trilhões, antes de recuar cerca de 0,7% no dia seguinte. Nem a Nvidia nem o Ministério do Comércio da China comentaram os limites reportados, e os números finais de aprovação ainda não foram anunciados oficialmente.

O desenho da concessão

Lido com atenção, o plano concede exatamente uma coisa: os laboratórios chineses ainda não conseguem treinar modelos de fronteira em hardware doméstico com velocidade competitiva. Não concede nada na inferência, onde os chips da Huawei já são bons o suficiente e onde o volume — e o mercado de longo prazo — de fato existe. A assimetria é deliberada. Treinamento é um pico de gastos que produz um modelo; inferência é uma conta permanente que produz dependência, e Pequim decidiu qual dessas duas quer pagar a uma empresa americana para fornecer.

O que acontece depois

Os números finais de aprovação ainda não foram publicados, e as empresas continuam apresentando as justificativas exigidas por Pequim. A rodada de licenças de maio, em Washington, também contemplou Tencent, JD.com, Lenovo e Foxconn — um lembrete de que dois governos agora têm poder de veto sobre cada chip que se move, e de que a liberação por um deles não diz nada sobre a liberação pelo outro.