O CEO da Palantir, Alex Karp, usou uma participação em 1º de julho de 2026 no programa "Squawk Box", da CNBC, para atacar a precificação da indústria de IA, argumentando que as empresas estão pagando "por tokens que não criam valor" enquanto laboratórios de fronteira colhem seus dados proprietários — uma dinâmica que ele classificou como um "imposto sobre a riqueza." Os comentários também funcionaram como uma peça de venda para a própria abordagem concorrente da Palantir.
O que Karp disse
Na versão mais completa da frase, Karp disse: "Estou pagando por tokens que não criam valor. Essas pessoas estão roubando os pesos e o alfa do meu negócio, e estão criando um imposto sobre a riqueza que não ajuda os pobres, só pune." Ele acrescentou que os modelos haviam sido "completamente, irresponsavelmente supervendidos." Vale notar que ele enquadrou boa parte disso como "a voz do empresariado americano" — sentimento relatado por clientes — enquanto as apresentadoras Becky Quick ("você parece muito irritado") e Andrew Ross Sorkin ("isso parece uma indireta") reagiam. Sua observação separada sobre ser "effing insane" era dirigida a terceirizar IA militar para o Vale do Silício, e não à precificação.
Um problema de custo real
A reclamação toca em um ponto de dor documentado que o setor chama de "tokenmaxxing" — maximizar o consumo de tokens sem medir os retornos. O caso emblemático: a Uber teria consumido todo o seu orçamento de IA de 2026 em quatro meses, à medida que o Claude Code, da Anthropic, se espalhava por cerca de 5.000 engenheiros, antes de a empresa impor limites de gastos por ferramenta. A precificação de fronteira, conforme citada na cobertura, chega a cerca de US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 30 por milhão de tokens de saída para o GPT-5.5, da OpenAI, com o Claude Sonnet 5, da Anthropic, em tarifas introdutórias próximas de US$ 2 e US$ 10.
O argumento da Palantir
O momento não foi neutro. Dias antes, a Palantir publicou um manifesto de nove pontos sobre "soberania em IA" atacando o tokenmaxxing e apresentou, com a Nvidia, uma pilha "Sovereign AI" isolada da rede e instalada localmente, que mantém os dados de um cliente dentro do próprio perímetro, sem chamadas externas de API. "Eles querem saber que possuem os meios de produção, que isso não está sendo transferido para outra pessoa", disse Karp. A Palantir reportou receita de US$ 1,63 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 85%.
Os céticos
Quase todos os analistas apontaram o conflito de interesses: a Palantir é uma parte interessada lançando um produto rival, então o ataque é "mais marketing do que análise". A investidora Rui Ma argumentou que os laboratórios lucram de três formas — cobrando por tokens, acessando a propriedade intelectual dos clientes e comoditizando suas vantagens —, mas que a solução de Karp simplesmente redireciona as empresas para pagar à Palantir. Outros observaram a ironia de governos europeus invocarem cada vez mais a "soberania" contra a própria Palantir. Nem a OpenAI nem a Anthropic rebateram publicamente os comentários.
