O boom do vibe-coding não dá sinais de desaceleração. Lovable, a startup de Estocolmo que transforma prompts em linguagem simples em software funcional, está em negociações para levantar cerca de US$ 300 milhões a uma avaliação de US$ 13,2 bilhões — aproximadamente o dobro dos US$ 6,6 bilhões que valia em dezembro, segundo reportagem de Sifted publicada em 8 de julho. A Lovable preferiu não comentar.
Um investidor dobrando a aposta
A rodada deve ser liderada pela Menlo Ventures, investidora já existente que co-liderou a Série B da Lovable em dezembro e encerrou em junho um novo fundo de US$ 3 bilhões — um investidor interno reentrando ao dobro do preço sete meses depois. A alta encerra uma trajetória que começou há apenas um ano: uma Série A de US$ 200 milhões a uma avaliação de US$ 1,8 bilhão em julho de 2025, liderada pela Accel, seguida pela Série B de US$ 330 milhões a US$ 6,6 bilhões em dezembro, co-liderada pela CapitalG, da Alphabet, e pela Menlo.
A história da receita
O que justifica as reavaliações é o crescimento que o CEO Anton Osika descreveu como o mais rápido da história do software. A Lovable alcançou US$ 100 milhões em receita anualizada oito meses após o lançamento e disse ter chegado a US$ 500 milhões em junho de 2026, com mais de 50 milhões de projetos criados na plataforma e cerca de 1 milhão de novos por semana. A US$ 13,2 bilhões, a empresa seria avaliada em cerca de 26 vezes essa taxa de execução. Entre os clientes corporativos agora na lista estão Workday, Asana e Nvidia.
"Qualquer um pode ser um construtor"
"Nossa missão é permitir que qualquer um seja um construtor", disse Osika, descrevendo um futuro próximo em que "qualquer pessoa poder pegar um problema de software arbitrário e simplesmente explicá-lo à Lovable" se torne algo rotineiro. A aposta é que a criação de aplicativos em linguagem natural se expanda para além dos hobbistas e entre nos fluxos de trabalho corporativos — o segmento onde, de fato, estão a receita e a durabilidade.
Um mercado em chamas
A captação da Lovable ocorre em meio a avaliações extraordinárias no universo do vibe-coding. Em junho, SpaceX concordou em adquirir a Anysphere, desenvolvedora do Cursor, por US$ 60 bilhões — a maior aquisição de uma startup apoiada por venture capital da história — após a receita do Cursor atingir uma taxa anualizada de US$ 4 bilhões. Replit chegou a uma avaliação de US$ 9 bilhões em março, e a Factory levantou recursos a uma avaliação de US$ 1,5 bilhão em abril. O capital que persegue a geração de código por IA mostra investidores apostando que a categoria representa uma mudança estrutural duradoura de plataforma, e não uma moda movida a demonstrações.
