Em 9 de julho de 2026, a Gradium, com sede em Paris, informou que reabriu sua rodada seed para um total de cerca de US$ 100 milhões, com a Nvidia liderando uma nova tranche. Trata-se de uma expansão, não de uma rodada nova: o total se soma aos US$ 70 milhões que a Gradium captou quando saiu do stealth, em dezembro de 2025, o que torna a chegada da Nvidia o principal destaque.
Quem está por trás
A Gradium foi desmembrada do laboratório francês de pesquisa Kyutai, e sua equipe fundadora reúne pessoas que escreveram a base científica da IA de voz moderna. O CEO Neil Zeghidour (ex-Google e Meta), o diretor científico Alexandre Défossez (coautor do EnCodec da Meta), Laurent Mazaré e o CTO Olivier Teboul foram coautores de trabalhos como SoundStream, EnCodec e o modelo full-duplex Moshi — componentes sobre os quais se constroem as pilhas de voz de outras empresas.
O que ela constrói
A Gradium desenvolve modelos fundamentais de áudio voltados a agentes de voz em tempo real e de latência ultrabaixa, que respondem quase instantaneamente. Seus primeiros produtos incluem um sistema de tradução de fala em tempo real, um mecanismo local de conversão de texto em fala que funciona offline e uma estrutura aberta para criar agentes de voz; a montadora francesa Renault é uma cliente identificada. "Há menos de uma dúzia de players capazes de treinar esses modelos em escala", argumentou Zeghidour — a escassez que sustenta a rodada.
Por que a Nvidia
A Nvidia raramente lidera financiamentos em estágio seed, então ancorar a extensão da Gradium — sobre investidores já existentes como FirstMark Capital, Eurazeo, DST Global Partners, Eric Schmidt e Xavier Niel — soa tanto como um sinal estratégico quanto como um cheque, combinando capital com alavancagem em GPUs. A Gradium não divulgou avaliação.
A atração da Bay Area
Zeghidour disse que o dinheiro permite à Gradium "acelerar nosso roadmap, expandir nossa presença na Bay Area e levar anos de pesquisa inovadora para produtos". Esse destino é revelador: um campeão francês de IA soberana, financiado em parte por bilionários franceses, está usando o caixa para abrir um escritório em San Francisco e disputar talentos perto dos laboratórios de modelos nos Estados Unidos — mesmo ao se posicionar contra incumbentes como ElevenLabs e OpenAI.
